A população negra constitui a maior parcela da população de Salvador e da Bahia. Além disso, tem uma presença marcante na vida cultural da cidade e do estado, contribuindo para a criação de uma imagem exportada constantemente pelo setor turístico. Com uma população formada inicialmente por homens e mulheres de origem africana, submetidos à condição escrava que, após o processo de abolição, há mais de 100 anos, não conseguiram ter sua cidadania plena efetivada. Isto devido às barreiras impostas pelo racismo que é manifesto tanto no acesso aos bens públicos de qualidade (racismo institucional), quanto dentro do mercado de trabalho.
No que se refere ao emprego e renda, as desvantagens nas quais se encontram os negros, estão relacionadas ao preconceito, onde o capital simbólico da aparência (branca) tem um peso decisivo. Tudo isso tendo em vista as condições educacionais, às quais essa parcela da população está submetida.
Os dados relativos à desigualdade entre a população negra e a população branca nos mostram o quanto são díspares as condições de oportunidade da população negra em comparação com a população branca. Os dados do DIEESE referentes ao ano 2007 demonstram que na Região Metropolitana de Salvador, a população negra se encontra em larga desvantagem. Os negros representam 86% da força de trabalho, mas são 90% dos desempregados. A taxa de desemprego estava em 22,7% para os negros e 15,6% entre os brancos, sendo que entre as mulheres negras essa taxa chega a 26,4%, sofrendo uma dupla discriminação, de gênero e de raça. De cada cinco mulheres negras uma trabalhava nos serviços domésticos e um em cada dez homens negros trabalhava na construção civil, setores que remuneram muito mal os seus trabalhadores. As mulheres brancas ganham o equivalente a 85% do salário de um homem branco, enquanto os homens negros ganham 52% e a mulher negra 43% do salário de um homem branco. Mesmo quando possui a mesma escolaridade, o salário dos negros são mais baixos que o dos brancos em todos os níveis de escolaridade.
Com base nesta situação há muito tempo denunciada pelo movimento negro, é que se faz necessária a unidade dos setores do movimento negro e da sociedade civil, tais como sindicatos e associações de moradores para a execução de uma ampla campanha de âmbito metropolitano, visando mudar essa situação. O eixo de nossa campanha é o combate à desigualdade racial no mercado de trabalho, seja no setor público seja no privado. A desigualdade racial é uma conseqüência da falta de liberdade da população negra, esta impede o amplo desenvolvimento de nossas potencialidades. Por isso, é indispensável que a unidade alcançada seja propositora de um conjunto de ações visando superar os obstáculos ao seu desenvolvimento.
Assim, propomos uma agenda que vai da ação direta de denúncia, atos públicos, passeatas e mobilizações, a ações jurídicas e realização de abaixo assinado, audiência pública e campanhas de marketing. Nosso objetivo é pressionar o poder público, executivo e legislativo no nível municipal e estadual para que proponham medidas reparatórias e afirmativas que combatam o racismo no mercado de trabalho. E, também, propor um conjunto de medidas econômicas e sociais que direcione nossa região para um desenvolvimento incentivador de nossas potencialidades.
Por sua vez, também objetivamos denunciar e cobrar do setor privado que se adapte aos princípios constitucionais de tratar todos os trabalhadores de forma de forma igualitária, provocando também o ministério Público para que fiscalize as empresas que praticam o racismo.
Assim, entendemos que as desigualdades no mercado de trabalho podem e dever ser revertida numa ação política que congregue ação política e ações prepositivas.


0 comentários:
Postar um comentário
Senhoras e senhores as postagens desrespeitosas não serão aceitas